Dicas

Por Redação

Conheça livros, filmes e documentários que discutem desinformação, tecnologia e política, temas da Agência Ruptura.


A morte da Verdade – Michiko Kakutani

A manipulação das informações no governo Trump e caminhos para a era da pós-verdade. Vivemos em uma época em que qualquer ideia objetiva da verdade é ridicularizada, sobretudo no cenário sociopolítico norte-americano. Teorias da conspiração e ideologias que já haviam sido totalmente desacreditadas voltaram a ter voz na cultura, questionando o que já foi estabelecido pela ciência. A sabedoria das massas se impôs ao conhecimento e cada um de nós tende a se ater às crenças que validam nossos próprios preconceitos. Mas por que a verdade se tornou uma espécie em extinção? Em A morte da verdade, Michiko Kakutani, crítica literária do The New York Times por quase quatro décadas e vencedora do Prêmio Pulitzer, explica como as forças culturais contribuíram para essa catástrofe da contemporaneidade. Seja nas redes sociais, na literatura, na TV, no mundo acadêmico ou na política, é possível identificar tendências que colocaram a subjetividade sobre um pedestal em detrimento da realidade, da ciência e dos valores comuns. Nesse cenário de descaso pelos fatos, da substituição da razão pela emoção e da corrosão da linguagem — que diminuem o próprio valor da verdade — o que pode acontecer com os Estados Unidos e com o restante do mundo?

 

 

 


No enxame
Perspectivas do digital – Byung-Chul Han

Publicado em 2018, o livro discute as características do digital e suas consequências na sociedade. De acordo com o filósofo, “arrastamo-nos por trás da mídia digital, que, aquém da decisão consciente, transforma decisivamente nosso comportamento, nossa percepção, nossa sensação, nosso pensamento, nossa vida em conjunto. Um enxame digital! Embriagamos-nos hoje em dia da mídia digital, sem que possamos avaliar inteiramente as consequências dessa embriaguez. Essa cegueira e a estupidez simultânea a ela constituem a crise atual.”


                                 

 

 

 

 

 

 

 


O livro ilustrado dos maus argumentos – Ali Almossawi

O livro explica, com divertidas ilustrações, as 19 principais falácias que tornam insustentáveis tantos argumentos e debates. Nele, você aprenderá a reconhecer frequentes abusos da razão, como a falácia do espantalho (em que se deturpa o argumento do outro para poder atacá-lo com mais facilidade), o apelo a uma autoridade irrelevante e a bola de neve (em que uma proposição é desacreditada sob a alegação de que levará inevitavelmente a uma sequência de eventos indesejáveis). Os desenhos mostram animais cometendo erros de argumentação. O coelho acha que uma estranha luz no céu só pode ser um disco voador porque ninguém consegue provar o contrário (apelo à ignorância). O leão não acredita que a emissão de gases do gado prejudica o planeta porque, se isso fosse mesmo verdade e tivéssemos que eliminar as vacas, ele teria que comer grama, um resultado altamente indesejável (argumento a partir das consequências). Assim, ficará mais fácil escapar das armadilhas da lógica que se espalham por todos os lugares, dos debates no Congresso aos comentários no Facebook. Indispensável para qualquer pessoa que cultive o hábito de ter uma opinião, este livro é um antídoto contra raciocínios fracos.

 

 

Políticas do sexo – Gayle Rubin

Dois ensaios de referência fundamental para os estudos de gênero e sexualidade são reunidos e publicados neste volume. “O tráfico de mulheres”, primeiro ensaio do livro, foi publicado em 1975. Revendo e problematizando autores canônicos – Marx e Engels, Lévi-Strauss, Freud e Lacan – Rubin utiliza pela primeira vez o termo gênero num texto de teoria antropológica, afirmando a existência de um sistema de sexo-gênero, associado à própria passagem da natureza para a cultura. Ela critica e questiona a heterossexualidade implícita no raciocínio desses autores – como a presença de um tabu anterior ao do incesto, o da homossexualidade na teoria de Lévi-Strauss. Numa linguagem acessível para não antropólogos, Rubin argumenta que gênero e sexualidade devem ser pensados em interação, sugerindo que é o próprio arranjo do parentesco que produz socialmente o gênero, uma vez que por meio do casamento e da divisão sexual do trabalho se institui a diferença entre homens e mulheres. A desigualdade social entre homens e mulheres aparece em estreita conexão com o controle da sexualidade feminina e a instituição do ideal heterossexual. Marco da reflexão sobre sexualidade, em “Pensando o sexo”,o segundo ensaio do livro, a autora argumenta que a sexualidade constitui uma categoria de desigualdade em si – em certa medida um eixo de hierarquia descolado do gênero. De modo provocativo, o texto problematiza as categorias classificatórias e expõe algumas formas regulatórias da sexualidade, como o direito e a medicina. Em diálogo com Foucault, revisões históricas como a de Jeffrey Weeks, além da evidente inspiração nas análises antropológicas que descrevem a diversidade cultural com relação à sexualidade, Rubin criticou a moralidade sexual subjacente às teorias e aos movimentos sociais com a mesma veemência com que tratou o status quo da teoria antropológica. Estes ensaios constituem os dois textos mais influentes de uma autora que se afirma militante feminista e pelos direitos das minorias sexuais. São textos fundamentais para entender o debate contemporâneo sobre gênero e sexualidade.

 

Democracia em vertigem – Petra Costa

O filme acompanha o passado político da cineasta de maneira pessoal e íntima no contexto do primeiro mandato do presidente Lula até o processo que culminou com o impeachment de Dilma Rousseff, analisando a ascensão e queda desses governantes e a consequente crise política no Brasil.

 

 

 

 

 

 

Privacidade hackeada – Noujaim e Karim Amer

Lançado em 2019, o documentário fala sobre o escândalo do uso de dados do Facebook para influenciar campanhas políticas, divulgado pela Cambridge Analytica.

 

 

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