Queimadas na Amazônia provocaram enxurrada de notícias e imagens falsas nas redes sociais

Foco de incêndio na Floresta Amazônia em São Félix do Xingu, no Pará, registrado pelo Greenpeace

Por Gabriela Arruda

As queimadas criminosas que atingiram a Amazônia em agosto e setembro deste ano provocaram comoção da sociedade brasileira e da comunidade internacional. Celebridades e autoridades políticas se posicionaram em suas redes sociais contra a destruição da floresta. Apesar de terem denunciado as queimadas e a negligência do governo brasileiro, muitos acabaram reproduzindo imagens e notícias falsas. 

No Twitter, o presidente francês Emmanuel Macron divulgou uma imagem aérea das queimadas na Amazônia. A foto, no entanto, é bem antiga. Ela foi tirada pelo fotógrafo Loren McIntyre, que morreu em 2003.

“Nossa casa está queimando. Literalmente. A Floresta Amazônica – os pulmões que produzem 20% do oxigênio do nosso planeta – está pegando fogo. É uma crise internacional. Membros da cúpula do G7, vamos discutir essa emergência de primeira ordem em dois dias.” Reprodução/Twitter

Outras imagens que também circularam nas redes sociais foram a de animais atingidos pelo fogo. Um tuíte bastante compartilhado mostrava um coelho queimado, um animal fugindo das chamas, um tatu com máscara de oxigênio e um animal aparentemente morto.


“Eu acho que o principal motivo é que a Amazônia nos dá oxigênio para a vida, não wi-fi, e não está localizada em Paris. Então a mídia não dá a mínima para essa crise global.” Reprodução/Twitter

Nenhuma dessas fotos, porém, foi registrada na Amazônia. De acordo com o Fato ou Fake, do G1, “a imagem do coelho com pêlos queimados foi feita em um incêndio que ocorreu na Califórnia, nos Estados Unidos, em 2018. Ou seja, não tem nenhuma relação com o Brasil. Já a imagem do animal correndo em meio a um campo em chamas foi feita durante queimada de canavial em Sertãozinho, no interior de São Paulo, em 2011, registrada pelo jornal Folha de S.Paulo. O tatu foi encontrado em um canavial em Araras, no interior de São Paulo, em 2018. Ele foi atendido e internado em um centro de reabilitação. Por último, a imagem do animal caído foi feita em Presidente Venceslau, também no interior de São Paulo, em 2011, e está relacionada a uma notícia sobre queima de palha de cana-de-açúcar.”

Um vídeo que também viralizou nas redes mostrava uma mulher indígena chorando pela destruição de sua aldeia, supostamente na Amazônia.

A gravação, no entanto, também é falsa, já que foi feita em julho deste ano e retrata uma mulher da tribo Naô Xohâ, da região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

Outro famoso que também divulgou imagens falsas das queimadas na Amazônia foi Cristiano Ronaldo. No Twitter, o jogador compartilhou uma foto e uma mensagem em defesa da floresta. A foto, porém, é de um incêndio que ocorreu em 2013 na Reserva Ecológica do Taim, no Rio Grande do Sul, e não da Amazônia, como sugere o tuíte. 

 

“A Floresta Amazônica produz mais de 20% do oxigênio mundial e está queimando nas últimas 3 semanas. É nossa responsabilidade ajudar a salvar nosso planeta.” Reprodução/Twitter

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